Fazendo Justiça

Um dos pioneiros na atualidade que conseguiu detectar o verdadeiro caráter dos romances (chamados erroneamente de espíritas) foi o pesquisador baiano Carlos Bernardo Loureiro. Mediante a critica fundamentada em fatos e o raciocínio lógico (que foram e serão as marcas desta perola do movimento realmente espírita brasileiro) ele expôs de forma clara e concisa os pontos obscuros dos romances, defendendo sempre o ponto de vista espírita e a pureza doutrinária que deve existir nas casas destinadas a divulgar o Espiritismo, em resumo, não fez proselitismo, mas buscou em seus estudos que a teoria fosse a imagem dos fatos.
A maioria dos dirigentes das casas que se dizem espíritas no Brasil ainda não sabem reconhecer a grande contribuição que Carlos Bernardo deu para a divulgação do Espiritismo, era de se esperar, pois a maioria das pessoas que compõem estas casas buscam compreender esta doutrina de forma cada vez mais fácil, com o menor trabalho e com pouco raciocínio possível; apelando para os ditados mediúnicos tais como os romances e mensagens que infelizmente são atribuídas ser espíritas pelo fato de vim dos espíritos. As obras publicadas por Allan Kardec são geralmente esquecidas, a história do Espiritismo é muitas vezes substituída por supostas biografias de certos espíritos, isto fez com que o centro espírita fosse considerado no Brasil como um templo religioso, quando deveria ser um laboratório, uma tribuna aberta para a divulgação e a pesquisa de temas que envolvem os espíritos, em resumo, um instituto de pesquisa e de ajuda a sociedade tanto material quanto espiritual. Para o leitor ter uma idéia do que ocorreu e do que está ocorrendo no território brasileiro eis em que se baseiam alguns desses livros: Auto-iluminação, auto-conhecimento, busca do eu interior, busca da paz interior, colônias espirituais, cromoterapia, incentivo a praticas próprias do Candomblé e até mesmo de outras religiões, etc... Os médiuns muitas das vezes se tornam doutores do Espiritismo, e pelo fato de serem médiuns acabam adquirindo o prestigio por uma obra que não são deles, são considerados sábios e tudo o que falam acaba se tornando lei nos centros espíritas (ou que deveriam ser), em tudo têm uma opinião a dar, que não pode ser analisada; que dirá contestada mediante a pesquisa e uma explicação lógica. A confiança no que os médiuns falam é dada não por ter valor, mas por eles serem "carteiros do mundo espírita". A analise e a discussão das mensagens dos espíritos nesta terra do cruzeiro do sul é considerado um pecado repugnante.
Os romances invadiram os centros, são considerados como verdadeiras biografias ou autobiografias, quando na verdade são obras construídas pela imaginação e o talento de um ou mais espíritos. Aqui nesta pátria passageira da América do Sul, em muitos centros e até nas federações (que deveriam divulgar Espiritismo) os romances são proibidos de serem analisados pela lógica mais severa, assim como é considerado proibido verificar se eles estão de acordo com os fatos. Estas obras podem ser de grande valor, contribuindo para a divulgação da doutrina, mas é necessário que sejam analisadas como são, fazendo a separação do que há de ruim e do que é bom, do que é possível e do que não é possível na vida real.
Carlos Bernardo Loureiro buscou chamar a atenção dos dirigentes de centros que se dizem espíritas; que divulgam doutrinas totalmente contrárias ao Espiritismo; sobre a necessidade de tomar o mundo espiritual como um objeto de estudo e não como uma fonte de uma revelação sobrenatural, chamou a atenção sobre a necessidade de basear o centro espírita no estudo da codificação. Bernardo foi alvo da crítica e da perseguição de muitos dirigentes e muitos médiuns que querem fazer proselitismo e evangelismo, contra ele não faltou o título de obsediado, chegando ao ponto de tentarem até atribuir que ele tivesse uma postura conjugal indecente. Bernardo deixou para sempre marcado seu nome na história do Espiritismo no Brasil, por ser um dos poucos que na atualidade tiveram a coragem de chamar a atenção sobre a necessidade de falar de Espiritismo estudando e falando realmente de Espiritismo.
O futuro fará justiça em relação a Bernardo como fez a tantos outros vultos do movimento realmente espírita brasileiro, ontem eram tidos como desequilibrados e hoje têm seus nomes reconhecidos e escritos nas páginas indeléveis da História do Espiritismo, mas no mundo Espiritual a justiça já é feita, enquanto Bernardo se prepara e realiza um trabalho mais importante do que realizou quando encarnado neste planeta de provas e expiações, muitos médiuns, espíritos e dirigentes que prestaram um mal serviço para com a sociedade se preparam para reencarnar para recomeçar o trabalho que mal fizeram, já que divulgar o mundo espiritual como ele é, na verdade é contribuir com o progresso da humanidade.

(Trecho retirado da Monogafia Tratado de Pesquisa sobre as Colônias Espirituais, pág. 26 e 27, de autoria de Marcos Antonio Borges Sousa)

 

Voltar